Sagrado feminino

terça-feira, março 08, 2016


Algumas mulheres em todo o mundo se orgulham tanto de sua condição que seguem uma filosofia de vida chamada "Sagrado Feminino". Esse estilo de vida - que vem sendo adotado pelo público feminino há milênios - oferece ensinamentos sobre nosso corpo, nosso emocional e nossos ciclos femininos, e ainda orienta de que forma podemos harmonizá-los com a natureza.

Isso significa que quando as mulheres passam a se desligar um pouco do mundo tecnológico e rotineiro, ou seja, buscam descobrir mais sobre si próprias, se interiorizando, percebendo melhor seus instintos, suas vontades e seus ciclos femininos (como a menstruação e a gestação), elas relatam que o mundo a sua volta - e aquele que existe dentro delas - parece mudar. É como se uma nova consciência as abraçasse.

Sagrado Feminino é um resgate e ao mesmo tempo uma reorientação de uma sabedoria natural e antiga que reintegra aos valores do feminino como um todo, no campo social, pessoal, psicológico, religioso, espiritual, cultural, educacional, etc além de um encontro com uma consciência ecologicamente e eticamente correta.


Mas, o que seria esse FEMININO?

Primeiro, precisamos entender o que seria esse Feminino. Porque percebo muitas mulheres que resistem a adentrar qualquer trabalho voltado para mulheres, por uma profunda rejeição às coisas de mulheres. Àquelas coisas sabe: engravidar, usar rosa, ser sensível e acolhedora, usar maquiagem, falar de homem e fazer brigas de travesseiro de lingerie, comer só salada durante um encontro amoroso…. não? Não, é claro que não!!! Para realmente entendermos o Feminino, é preciso parti-lo ao meio, picá-lo em muitos pedaços e desfragmentar todos os conceitos, pré-conceitos, dogmas, valores e registros sobre o que é feminilidade e o que é da mulher. Somente quando jogamos tudo isso em uma lata de lixo é que poderemos começar a de fato entender e futuramente ser um
Feminino autêntico, que irá “bater às portas” do Sagrado.

A ressignificação do que é ser mulher, vai de total encontro ao que é o feminino. Porque até hoje, relacionamos isso diretamente ao que define um gênero. Ou seja, isso é coisa de mulher e isso é coisa de homem. Mulher pode isso. Mulher não pode aquilo. Quando fazemos isso, vamos naturalmente colocando dentro de um quadrado o que valida o feminino e o que o desqualifica, e naturalmente,
restringimos à expressão do feminino nas mulheres e também nos homens. O Sagrado Feminino está além de questão de gênero, porque é uma energia, um poder e uma força que habita todos, sem distinção. Há um imenso poder dentro de nós que contêm todas as nossas capacidades, potencialidades e latências inerentes, com um poder de transformação e uma característica peculiar inerente das nossas próprias forças. Apesar de estar relacionada com o feminino, não está relacionada com gênero, mas sim com a força e poder da energia feminina dentro de cada um de nós: homens e mulheres.
 

O conhecimento do Sagrado Feminino é adquirido através de livros, cursos e grupos de estudos chamados de "círculo de mulheres". Nesta filosofia, as mulheres estudam um conceito diferente sobre si próprias, que engloba os aspectos emocionais guardados no corpo, a sintonia entre a menstruação e as fases da lua, a veneração das Deusas de todas as mitologias e a semelhança delas com cada mulher, assim como a influência que a natureza tem sobre nosso corpo e psique.

Quando a mulher passa a enxergar em si essa manifestação da própria Mãe Terra, Mãe Natureza, o arquétipo da geradora e nutridora, ela percebe em si os ciclos iguais aos da terra, entende e fica receptiva a grande energia criativa e fértil que flui no corpo e na mente. Isso começa mudar sua consciência, sua auto confiança, auto estima e seu poder interior. Esta é a grande força do sagrado feminino, fazer emergir a essência, redescobrir a história, a cultura, a sabedoria e poder ancestral esquecido. Fazer a mulher se familiarizar com a essência divina interior, compreendendo e aceitar os ciclos naturais do seu corpo, sua mente e sua alma.


Nesta filosofia de vida, as mulheres passam a valorizar mais seus ciclos naturais, como a menstruação, a maturidade, a gestação, o parto e a amamentação. No entanto, não são induzidas a serem radicais ao viver esses períodos ou exercer determinadas funções. O valor está em aceitar a naturalidade das coisas, seu histórico de vida, vontades e capacidades. Aprendendo a se conhecer de forma mais profunda e a aceitar os acontecimentos da vida e a si mesma, as feridas começam a ser curadas e as mulheres podem passar a se aceitar melhor.
 

As mulheres que seguem essa antiga e eterna tradição ou ‘sabedoria natural’ que inclui intuição, cura, interação, energias cíclicas de criação, sustentação e transformação, conexão com as forças da natureza,poderes e consciências superiores; quebram os padrões e realinham-se suas raízes e ao proposito superior da feminilidade auxiliando e promovendo a cura do planeta e do coração humano, auxiliando nessa nova vibração e ciclo evolucionário planetário.

O uso de rituais, consagrações, simbologia ou mitologia, pode ajudar algumas mulheres a conectarem, manterem e potencializarem sua conexão com esta rede, porém cada mulher, desde que bem conscientes, podem seguir suas próprias práticas e chegam ao seu encontro profundo da forma que mais se sentirem a vontade.


Você não encontrará o “sagrado feminino” num workshop com fogueiras e cantos, danças e pinturas. O feminino sagrado é a Deusa em você, é Deus ao feminino em você que exige seu compromisso e sua lealdade. É começar a reconhecer como sagrada sua voz interior, começar a se ouvir, começar a deixar as tramóias de lado e ser honesta, transparente, impiedosamente transparente consigo mesma.

“Recuperar o sagrado feminino em nós significa deixar a nossa vida criativa
florescer; nossos relacionamentos adquirirem significado, profundidade e saúde; nossos ciclos da sexualidade, criatividade, diversão, e trabalho serem restabelecidos. Nós temos o dom inato de dispor de uma observadora interna permanente, uma sábia, uma visionária, um oráculo, uma inspiradora, uma intuitiva, uma criadora, uma inventora, e uma ouvinte que guia, sugere e estimula a vida vibrante nos mundos interior e exterior. Nós somos isso e muito mais!”
– Clarissa Pinkola Estés
   

Por fim, deixo como dica 3 livros sempre muito bem indicados para quem quer começar a estudar e se aprofundar um pouco mais na temática. A autora Claissa Pinkola Estés é icônica e referência quando se trata desse assunto.


É isso, espero que tenham gostado de conhecer um pouco sobre esse assunto. E, pra quem quiser, há um grupo incrível no Facebook para interação e discussão do qual participo: Sagrado Livre Feminino.


» fontes: 1 - 2 - 3
» imagens: dean raphael

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1 comentários

  1. Tô apaixonada por esse post, sério...
    O Sagrado Feminino me dá uma sensação tão gostosa de ser inteira que nem sei dizer. Não sou uma grande estudiosa do assunto, mas acompanho muita coisa, as mulheres da minha família também, então já conheço bastante...
    Lembrei que tem esse Mulheres que correm com lobos aqui em casa mas nunca li, e fiquei com vontade desse "Ciranda das mulheres sábias"..
    Amei o post, de verdade!
    Beijos,
    A Menina da Janela

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