Diga adeus às garrafas de água descartáveis

segunda-feira, agosto 10, 2015


Provavelmente você já ouviu alguma vez na vida que as garrafas de plástico não são um item ambientalmente amigável, mas talvez não entenda bem o porquê e não tenha noção do impacto real (e completo) do uso frequente delas. Hoje resolvi fazer mais um post, que pode ser visto por muitos como "eco-chato", para poder explicar um pouco mais a fundo porque devemos dizer adeus às garrafas de águas de plástico.

Mas, minha intenção não é só mostrar os malefícios, mas também dar dicas e propor alternativas pra você utilizar no seu dia-a-dia. Minha intenção com esse tipo de post é relativizar sempre o nosso consumismo e entender o real impacto das nossas escolhas rotineiras no meio ambiente e na nossa própria vida.

E tudo começa na produção das garrafas...

Se você pensa que a água que você gasta quando bebe água engarrafada é somente o conteúdo de 1l ou 600ml daquela garrafinha está muito enganado. O processo produtivo de UMA garrafa de plástico de um litro gasta aproximadamente 3 litros de água! Além disso ainda há uma demanda de utilização de componentes químicos, fazendo com que a maior parte dessa água não possa ser reutilizada. 

Agora, multiplique esse número por 50 bilhões de garrafas plásticas produzidas no mundo por ano e você chegará à conclusão que é muita água sendo gasta de maneira completamente desnecessária, já que poderíamos muito bem consumir água facilmente filtrada e livre de plástico.

Nessa produção anual bilionária, há um gasto tremendo não só de água, como também de petróleo. Só nos EUA são usados anualmente 17 milhões de barris de petróleo na produção das garrafas, o suficiente para abastecer um milhão de carros durante o mesmo período. Isso só para produzir a garrafa, mas se juntarmos todas as partes do processo (extrair, processar, transportar e refrigerar essas garrafas de água), o The Earth Policy Institute afirma que o uso de energia chega a 50 milhões de barris de petróleo por ano e um número astronômico ainda não calculado de dióxido de carbono lançado na atmosfera.

Você sabe o que você está bebendo?


Além do desperdício de água falado acima, a água mineral comercializada é quase um produto artificial em função dos minerais serem adicionados sinteticamente, já as fontes originais de água mineral secaram há anos e com isso, os minerais são adicionados quimicamente (o que vem escrito nos rótulos inclusive).

Por meio de ações publicitárias globais, o setor de água engarrafada, por exemplo, ajudou a criar a impressão de que água na garrafinha é mais saudável, mais saborosa e está mais na moda do que a boa e velha água filtrada, mesmo quando estudos demonstram que algumas marcas de água engarrafada são menos seguras do que água da rede e custam de 240 a 10 mil vezes mais. 

Há um tempo atrás saiu o caso de um marca que, sem estudos sérios de riscos à saúde, desmineralizava a água e acrescentava sais minerais de sua patente. A desmineralização de água é proibida pela Constituição. Fiquemos atentos pra não correr o risco de ingerir essas coisas.

Hidropirataria

Com a hidropirataria pode acontecer o secamento de fontes de água locais. Com o secamento, muitas empresas bombeiam mais água dos lençóis freáticos do entorno. Ou pior: quando as fontes secam, algumas vezes a empresa simplesmente abandona aquelas instalações fabris, a essa altura obsoletas, para instalar-se em outro local, com isenção de impostos, é claro. Às populações locais, sobram instalações fabris abandonadas, desemprego estrutural, solos desertificados e fontes secas. Muitas das vezes oo ritmo de bombeamento é feito acima do permitido.

A Reciclagem

Se você já está se sentindo mal por todas as garrafas que consumiu até hoje, primeiro: você não está sozinho. Segundo: todo esse cenário que envolve a indústria da garrafa plástica fica pior (bem pior) quando, depois de toda essa energia para produção, toda essa adição de minerais e da hidropirataria gasto de combustível para transporte e armazenamento, jogamos a garrafa fora. 

Mas, não se sinta culpado. Uma empresa que vende um produto engarrafado em plástico deveria ser responsável pela logística reversa da reciclagem dessas garrafinhas, de acordo com a própria Política Nacional de Resíduos Sólidos.

E, mesmo se você for uma dessas pessoas preocupadas em descartar suas garrafas no lugar certo para que elas sejam recicladas, a verdade é que a reciclagem é insuficiente (e, em muitos países, extremamente danosa e falha). 

Em 2009, o Brasil já era o quarto maior produtor de água engarrafa, perdendo para os EUA, que ocupa o primeiro lugar da lista. O ponto positivo é que os brasileiros reciclam mais que os EUA e Europa, chegando, em 2012, a um volume de 331 mil toneladas de PET (isso inclui não só garrafas de água, mas todo o plástico PET), cerca de 60%. Os outros 40% acabam em aterros sanitários e nos oceanos. De acordo com o Ocean Conservatory, garrafas de plástico e sacos de plástico correspondem a mais ou menos 90% do lixo encontrado nos oceanos.

Aos poucos as coisas vão andando...

Na hora de reaproveitar, diversas empresas já estão descobrindo maneiras de reutilizar o PET. A indústria têxtil é a que mais consome o PET reciclado.

Marcas como Stella McCartney, Freedom Of Animals e Issey Myake também estão utilizando tecidos de PET reciclado continuamente em suas produções de acessórios. No Brasil, a Osklen, uma das marcas que ganham destaque em se tratando de consciência ambiental unida à moda, em parceria com o Instituto E, também emprega o tecido no desenvolvimento de algumas peças.

O que você pode fazer?

Até que as nossas cidades cheguem à mesma conclusão que a cidade de São Francisco, nos EUA, que baniu garrafas de água com menos de 600ml e pretende banir todas as garrafas até 2020, está em nossas mãos a responsabilidade de minimizar.

Primeiro, não indico o reuso da garrafa de plástico, apesar de no início isso parecer uma alternativa ecologicamente correta. Primeiro, mesmo com uma higienização constante, há grandes chances dessas garrafas PET guardarem bactérias nocivas à saúde. Segundo que, quanto mais tempo expostas ao calor, mais essas garrafas vão liberar BPA na água que você está ingerindo, então a ideia é se livrar do plástico convencional logo de cara. Então, não é só (na verdade isso é realmente muito importante) pelo meio ambiente e pelos animais que devemos abrir mão das garrafas plásticas, mas também pela nossa saúde. 

Para começar, basta um pouco de programação para sair de casa com uma garrafinha de água e economizar R$ 2 ou R$ 3 cada vez que tivermos sede. Escolha uma garrafa reutilizável livre de BPA ou outros químicos nocivos à saúde, e que, de preferência, mantenha uma boa temperatura. Já existem alternativas inteligentes às garrafas e copos plásticos, como a garrafa de papelão prensado e impermeável, a nova garrafa em plástico biodegradável (a primeiralivre de bisfenol-A), a garrafa reutilizável de bambu e o copo descartável de papel em formato de envelope, o e-copo, 100% biodegradável e de fácil armazenamento e transporte.


Lei nº 2424/95, do estado do RJ

Na Europa é muito comum sentar em algum bar-restaurante e ser recebido por um garçom com jarra de água gratuita. Você não precisa pedir uma bebida pronta, nem pagar pela água, o próprio estabelecimento fornece água potável gratuitamente. Parece coisa de primeiro mundo, mas não é - pagar por água mineral (ou potável) deveria ser considerado inconsitucional, já que todos os recursos hídricos e respectivo subsolo são considerados soberania nacional e de posse da União.

Você sabia que existe, no estado do RJ, uma lei de 1995 que obriga estabelecimentos a servirem água filtrada gratuitamente? Em caso de não cumprimento, a multa mínima é de R$542, além de outras penalidades que constam no Código de Defesa do Consumidor. A Água fornecida deve ser filtrada e não mineral. Os estabelecimentos também são obrigados a afixar cartazes informando sobre a gratuidade.

De acordo com o Procon Estadual, se o estabelecimento se negar a servir água, o cliente deve fazer um registro no livro de reclamações do local ou fazer a sua reclamação em um posto de atendimento do Procon ou pelo site do órgão. Em caso de desconfiança, o cliente pode pedir para ir até a cozinha e ver de onde o estabelecimento tirou a água que está sendo servida. Essa lei existe desde 1995, mas não era explícita e, se o estabelecimento se negasse a conceder a água, não havia muita. Depois de quase 20 anos ela sofreu alterações e está em vigor.

E, por fim, deixo pra vocês um vídeo curtinho, que vale MUITO a pena assistir!


É isso, pessoal. Espero que tenham gostado das informações compartilhadas e que tenham se inspirado a mudar os hábitos corriqueiros do dia-a-dia. Me contem nos comentários a opinião de vocês acerca desse assunto! 

» referência | modefica

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2 comentários

  1. Gostei muito!
    Como eu vico na frente do computador, ou estudando ou na blogosfera, sempre tenho que estar com um copo de água do meu lado, daqueles imensos XD
    Seus posts, como sempre, são muito completos e muito inspiradores. Parabéns!
    www.elaescreveu.com.br

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    1. Fico feliz que tenha gostado, Monique! E com relação aos copos, cuidado com o Bisfenol-A.
      Obrigada pela visita e pelo comentário. Beijos!!

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