O yoga como tendência e algumas questões que surgem

sexta-feira, dezembro 12, 2014


Celebridades em selfies de āsana representam muitas vezes o oposto da liberdade que o Yoga propõe como meta, já que alimentam a obsessão pelo “corpo perfeito” que seria, segundo o velho sofisma, o corpo feliz. Assim, a contagem obsessiva de calorias, a busca pela dieta ou pela prática mágica que vai finalmente tornar meu corpo aceitável, e a inevitável comparação com os corpos dos demais, só eternizam o círculo vicioso.
A discriminação contra qualquer tipo de corpo, contra qualquer forma ou biotipo que não se encaixe no padrão impossível da magreza extrema é tão inaceitável quanto o racismo, o sexismo ou a xenofobia. Porém, quanto mais o Yoga se populariza, parece que mais se reforça a identificação das práticas com essa ditadura da imagem do corpo “perfeito”. Assim, e apesar do Brasil ser o país da miscigenação, é raro ver em algumas salas de Yoga, pessoas que não sejam brancas, magras e jovens. Infelizmente.
Quando nos expomos à imagem de uma esbelta modelo num āsana complicado, sorrindo relaxadamente como quem não faz esforço algum, a mensagem implícita na foto pode afetar negativamente a nossa autoestima, uma vez que a nossa experiência prática nem sempre coincide com o que vemos. E isso não precisa acontecer dentro da sala de práticas: pode se revelar ao perceber a dificuldade para amarrar os próprios cadarços. Imagens de pessoas praticando āsanas são usadas hoje em dia para vender desde seguros de vida a alimentos, desde carros a viagens. Há de tudo: gente em posturas de meditação, yogis em āsanas de equilíbrio, alongamento ou força. Essas fotos têm um denominador comum: apresentam pessoas esguias, fortes, lindas, e aparentemente de bem com a vida, fazendo com a maior naturalidade ações que estão muito além do alcance da imensa maioria dos seres humanos. Todos, invariavelmente, sorrindo.
A imagem do Yoga que se projeta através dessas poses intimida muitas pessoas que se sentem acuadas pelo grau de dificuldade das ações ilustradas. O problema é que o tema não se limita ao mundo da publicidade: esse tipo de imagem é ubíqua também em selfies, redes sociais, publicações, blogs e revistas. Nessa esteira, há gente que pensa, legitimanente: “se o Yoga é para pessoas jovens, magras, bonitas e flexíveis, então não é para mim, pois não me encaixo em nenhuma dessas categorias”. O amigo leitor já se perguntou quantas pessoas desistiram de fazer Yoga por conta dessa imagem que se projeta dele?

Todas essas reflexões foram retiradas da página do professor Pedro Kupfer e são completamente acordadas por mim, Estefanie.

Você também poderá gostar de

2 comentários

  1. Depois de ter lido esse texto (muito bem escrito, aliás!) eu parei para pensar em quantas publicidades relacionadas ao Yoga tem por ai... E são muitas! Eu já tive vontade de fazer Yoga mas com a finalidade de viver mais de bem, mais relaxada. Essa sociedade do "corpo perfeito" vai contra qualquer prática saudável.
    Enfim, adorei o texto!

    http://www.lelouie.com.br/

    ResponderExcluir
  2. Concordo totalmente com esse texto, a ditadura da beleza e do corpo perfeito mudou de máscara, já segui vários IG's que passavam alguma mensagem de equilibrio, veganismo, respeito ao corpo a mente e a natureza, mas percebi que passavam essa mensagem de uma forma completamente autoritária, como se todo o resto que não faz isso fosse inferior e ignorante sabe? E tem muito haver com esse texto, as pessoas estão se colocando em um patamar de superioridade e distorcendo o objetivo real dessas práticas.

    ResponderExcluir

Subscribe