Como foi o Festival Woodstock

sexta-feira, novembro 07, 2014


O festival mais famoso de todos os tempos rolou em agosto de 1969, em uma fazenda na cidadezinha de Bethel, a cerca de 160 quilômetros de NY. Woodstock é o nome da cidade escolhida originalmente para abrigar os shows, mas acabou não rolando e, depois de idas e vindas, os organizadores desistiram da cidade e alugaram uma fazenda em Bethel mesmo, menos de um mês antes da abertura do festival. Para não criar mais confusão, o nome original, Festival de Música e Artes de Woodstock, permaneceu.
Os quatro rapazes - o mais velho tinha 26 anos - que organizaram o evento tentaram sem sucesso levar John Lennon, Bob Dylan, The Doors, Led Zeppelin e Frank Zappa ao palco da fazenda, mas isso não tirou o brilho do festival. Apesar de esses monstros sagrados terem ficado de fora, outras estrelas - The Who, Janis Joplin, Grateful Dead, Jimi Hendrix, Santana, entre outros - aceitaram o convite e fizeram shows históricos. Mais de 400 mil pessoas invadiram a cidade de Bethel, de 2.300 habitantes. Foram três dias de paz, amor, música e lisergia.



Alimentação
Como a organização esperava "apenas" 60 mil pessoas, somando o público de todos os dias, a saída foi improvisar postos de alimentação gratuitos quando eles se depararam com uma massa sete vezes maior. Cidades vizinhas doaram frutas, enlatados e sanduíches

Camping
Cercas delimitavam a área reservada a acampamento, mas, na prática, com a superpopulação, isso não funcionou. Havia barraquinhas, colchonetes e trailers espalhados pelos quatro cantos da fazenda e até nas propriedades vizinhas


Emergência
Cerca de 70 médicos e 36 enfermeiras fizeram 6 mil atendimentos durante o festival. Alguns pacientes foram levados para hospitais por helicóptero, mas "só" três morreram: um por overdose de heroína, outro por ruptura de apêndice e o terceiro, atropelado por um trator. Houve ainda dois partos.


Segurança
Mais de 600 pessoas, entre seguranças contratados pela organização e policiais voluntários, fizeram o policiamento. Mas, como era gente demais infringindo as leis, eles decidiram ser light: drogas e peladões circularam pela fazenda numa boa. "Apenas" cem pessoas foram detidas por uso de drogas.


Bastidores
Atrás do palco, ficavam os trailers da produção, os camarins e o heliponto, por onde chegavam os artistas - não fosse pelos helicópteros, muitos shows não teriam acontecido. Para chegar ao palco sem enfrentar a muvuca, cantores e bandas atravessavam uma passarela exclusiva


Palco
32 atrações, entre artistas e bandas, passaram pelo palco, que ficava na parte mais baixa de uma pequena colina, formando um anfiteatro natural. As chuvas do fim de semana detonaram a grama que cobria o local e formaram verdadeiras piscinas de lama, onde a galera mais chapada se lambuzava à vontade.


Imprensa
A imprensa tinha até estacionamento exclusivo, mas, para enviar notícias e fotos, só mesmo nas cidades vizinhas: no acampamento, a fila do telefone durava no mínimo duas horas. A comunicação só funcionou mesmo no mural de recados, através do qual as pessoas encontravam os colegas e descolavam caronas.


Vias de acesso
As rodovias de acesso à fazenda ficaram intransitáveis. A viagem de Nova York a Bethel, que duraria no máximo duas horas, chegava a oito. Pessoas estacionavam na beira da estrada e caminhavam até 20 quilômetros. Houve uma chuva de pedidos de indenizações de quem tinha ingresso mas não chegou ao festival.


A década de 1960 foi marcada pela resistência do jovem ao American Way of Life e ao conservadorismo norte-americano. As indústrias se mecanizaram, cada vez mais dispensando o uso da força física, eliminando a ideia puritana de se privar do prazer e se guardar para o trabalho, que ainda assolava os Estados Unidos. Nesse mesmo cenário, um estudante de química chamado Owsley Stanley aprendeu a fabricar ácido lisérgico, o famoso LSD, no porão de sua casa. Logo, elefantes coloridos, formigas gigantes, entre outros fenômenos psicodélicos estariam caminhando por Woodstock.
Aliado a isso tudo, as investidas desproporcionais dos Estados Unidos no Vietnã geravam uma onda de protestos pacifístas, queimas de cartas de recrutamento e uma manifestação histórica nos arredores do Pentágono. Ali nascia uma nova geração. Uma geração que não abaixaria a cabeça pra ninguém, resistiria à opressão do cotidiano, trocaria armas por flores e o ter pelo ser. Nascia a geração hippie, do Verão do Amor e do Festival de Monterey. Nascia a geração de Woodstock!
A atmosfera fantástica minimizou um pouco as extraordinárias performances musicais. Além de tecnicamente impecáveis, as apresentações contaram com diversos protestos. Do outro lado do mundo bombas caíam, era o auge da covarde Guerra Fria. Os artistas, em sua maioria, cumpriram com o dever cívico de protestar contra as atrocidades protagonizadas pelos homens do Tio Sam.
No último dia de festival, Jimi Hendrix tocou em sua guitarra o hino dos Estados Unidos. O que parecia uma homenagem, se mostrou um dos maiores protestos contra a Guerra do Vietnã e um dos mais marcantes momentos de Woodstock:


Confira mais apresentações no festival:



Pra quem quer conhecer um pouco mais do universo da época indico 3 filmes:
Aconteceu em Woodstock, Across The Universe e A Música Nunca Parou.

É isso, pessoas! Espero que tenham gostado de saber um pouco mais sobre o festival. Beijos!

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