Bobagem


As minhas palavras não ditas estão enfileiradas em minha garganta, se projetando para fora, armadas, prontas para darem o bote. Saltam pelos meus poros, saem aos poucos, em doses pequenas, esperando serem notadas por você. Fazem meus olhos se sobressaltarem sobre as maçãs do rosto, esbugalhados. Fazem minhas maçãs se corarem também.
Eu só queria dizer por aí tudo que meu coração bombeia pelo meu sangue. E nesse desatino, enquanto aguardo, sei que perderei a pouca razão que ainda me resta, esganando com força todos os sentimentos que insisto em evitar. 
A verdade é que tua alma me encanta, me encantou desde de quando bati os olhos em você pela primeira vez e senti um calafrio leve. E o olhar é o que fez toda a diferença. Posso ver sua aura bela de longe. Seu olhar é genuíno, ingênuo, passa uma energia de paz, a paz que não tenho. 
Te quero na minha bagagem. Mas não falo, não digo, somente demonstro. E sei que você nota, mas insiste em guardar também todos os não ditos, e trocar de lugar, trocar de calçada quando me vê. Me fecho e sigo em frente, mas quando me deito às 11 da noite, é seu rosto que me vem. E me acalmo. Sua presença em espírito me acalma. Enquanto muitos se inquietam com o silêncio, este, em que estou com você na mente, me traz serenidade. 
E foram tantos desejos e sensações contidas que eu volto a me ver no reflexo dos seus olhos, lembrando de como minha boca tremia ao te olhar e como meu coração insistia em fazer brotar um sentimento que não sei nomear. Quando falam seu nome por aí, sinto o gosto do nó que se forma em minha garganta, tão apertado que é impossível desatar. O céu da boca formiga e borboletas saem a bailar por todo o meu corpo. Uma ânsia, uma salivação. Bobagem. Respiro fundo. Deixo passar. 

O que é trabalho escravo?

Primeiro foi a britânica Rebecca Gallagher a encontrar um pedido de socorro na etiqueta de um vestido comprado na Primark. E agora, nos deparamos mais uma vez uma vez com um caso de pessoas trabalhando em condições análogas a escravidão no mundo da moda. Na última quinta-feira (23) a consumidora Sandra Miranda, de Águas Claras (DF) recebeu um pedido de socorro junto com sua encomenda do site chinês AliExpress, conhecido por vender peças mais baratas dos que as encontradas no Brasil. O bilhete foi escrito em inglês e dizia “I slave. Help me” (“Sou escravo, me ajude”, em português), segundo informações do jornal Correio Brasiliense.

A foto foi publicada pela filha de Sandra, Raíssa Reis, em seu perfil no Facebook. A imagem foi compartilhada nas redes sociais por milhares de pessoas.

Pensando muito sobre isso e conversando com algumas pessoas em grupos, escrevi o seguinte texto, que gostaria de compartilhar com vocês:

É triste? É. Me dói o coração? Dói.
Mas as roupas da C&A, Zara, Walmart, etc., têm etiqueta "feito na China" e a gente paga caro por elas ainda. O preço que a gente paga só beneficia a empresa brasileira, que importa tudo barato e revende a preços absurdos.
E quem garante que as coisas produzidas aqui no Brasil (Zona Franca de Manaus, por exemplo) também não foram produzidas com trabalho desumano e exploratório? E o comércio brasileiro (lojas), também não é exploração? Já viram os horários estipulados para os trabalhadores e os salários ínfimos?
Será que somente é escravidão o cara que está lá produzindo as roupas do Aliexpress ou os operários explorados nas indústrias do Brasil também não estão trabalhando de forma injusta? Enfim, é um assunto que dá muito "pano pra manga" e eu eu acredito que não dá pra ter uma garantia, em nenhum dos dois casos (produtos nacionais e internacionais). Quase todas as coisas que a gente tanto gosta de comprar aqui é produzido na China e, se a gente for se privar e ficar pensando nisso, acaba não comprando nada também. É complicado...
Acho que a saída pra isso tudo é o minimalismo. Reduzir ao máximo o consumo de coisas desnecessárias e comprar de produtores locais, brechós, feirinhas de artesanato (compro de quem faz: http://www.coisasfuteis.com/2014/01/compro-de-quem-faz-levante-essa-bandeira.html). Muitas vezes isso sai mais caro, mas vale mais ter um guarda-roupas abarrotado de produtos de procedência duvidosa ou um mais clean cheio de coisas que você sabe a procedência?
Ninguém precisa virar artesão e corporativista e voltar pra Idade Média, mas se consumíssemos menos, não precisaria ter esse tipo de produção adoidada e que escraviza o homem de todas as formas (na produção e na venda). Claro que é impossível mudar o mundo e dar conta de situações e condições como essa do bilhete, que ocorrem no mundo inteiro. Mas, se cada um tivesse a atitude de mudar ao seu redor, o mundo todo mudaria, paulatinamente. É nisso que eu acredito.


Deem uma lida básica nesta notícia sobre a Le Lis Blanc em SP.

E vocês, o que acham sobre o assunto? Me contem nos comentários! Beijos.



Notas sobre uma escolha


Tudo começou com um post no blog Notas Sobre uma Escolha, em 22 de julho de 2013, mas na verdade a vontade do casal em largar tudo já vinha sendo planejada antes disso. Essa foi a data da decisão e do início da jornada dos corajosos Manu, Hugo e os filhos Tomé e Nina – que ainda estava na barriga da mãe – quando venderam suas coisas e partiram para um lugar inusitado deixando um aviso: “A nossa escolha nada mais é por viver uma vida larga, não apenas uma vida longa”.

Eles trocaram a vida confortável em Lagoa Santa (MG) para morar na bela e simples Chapada Diamantina (BA), destino que está mais acostumado a receber turistas do que famílias com mudança. Entre altos e baixos, Manu relata nos posts (que são muito bem escritos, por sinal), como está sendo a vida no campo baiano, onde já produzem seu próprio alimento em uma horta orgânica. O motivo principal do êxodo ela explica no primeiro texto do blog: deixar os filhos mais próximos da natureza, do que é da terra. “Sentimos que eles (e todos os outros que virão vida afora!) são crianças de espírito livre, cheios de luz e consciência. Obrigá-los a crescer na cidade, enjaulados em apartamentos, moldados pelo consumismo social e submetidos à uma educação tradicional nada inteligente seria, de alguma forma, negar toda a essência desses dois serzinhos”.


Além disso, Manu e Hugo querem ter a consciência do que é realmente necessário para se viver, sem todos os confortos da cidade grande, o que parece ser um grande desafio. Mas lendo os textos do blog, a vida campestre não parece tão ruim assim, embora lá também tenha os perrengues nada convencionais, como a fuga das galinhas, a morte de uma das cabras – que foi picada por uma cobra -, os besouros que atacam a plantação, a falta de luz, entre outros, além da saudade dos familiares.


A ideia de ser autossustentável e de viver da permacultura e do famoso DIY foge totalmente da nossa realidade urbana e exaustiva. O bom é que, diferente da maioria dos mortais, essa família tem acesso a “luxos” que poucos têm, como a vida ao ar livre, sem as violências cotidianas, a comida que vem de hortas verdes e saudáveis, frutas frescas e saborosas, água pura e cristalina e energia solar. Desejamos a eles toda a sorte do mundo!


Confira um trecho do diário que conta sobre o dia em que chegaram:

Chegamos, estamos em casa.

Com três malas de 23kg cada, saímos de Lagoa Santa e seguimos rumo à Salvador. O resto ficou pra trás, foi vendido, doado, poucos livros guardados, exercício ímpar de desapego e do qual eu acreditei nunca poder ser capaz! As despedidas foram doídas, algumas adiadas, outras mais fáceis do que imaginávamos. Deixar uma cidade e suas relações é também repensar o lugar das pessoas na vida da gente. (...) 
Este primeiro dia em Salvador nos proporcionou uma das experiências mais lindas ao lado do Tomé, descobrir o mar. Com toda força das ondas e bênçãos de Yemanjá, chorei (sim, chorei!) de emoção ao ver ele se jogando na areia, caindo na água fria, sentindo o vento bagunçar os cabelos, o sal grudando no corpo, a liberdade destemida. Nosso filho é bicho solto, esse é um dos recados que ele me dá diariamente. (...)
Parece que chegar aqui foi um soco no nosso estômago, quando a gente deseja muito alguma coisa o universo conspira e ela acontece. Estamos aqui. E agora, José? E esse mesmo soco que dói e amedronta traz em si uma das coisas mais bonitas que meu coração besta já sentiu: a força da união em nosso núcleo familiar, a capacidade de nos protegermos, de nos apoiarmos, de nos acalmarmos, de nos abraçarmos com tanto carinho. Nós quatro somos como notas de uma musica só e precisamos zelar pela harmonia final.



Eles também têm um Tumblr, que serve como diário fotográfico, onde guardam memórias para seus filhos no futuro. Nessa série também dá pra acompanhar o crescimento das crianças que são lindas, aliás.


Mas agora vem a má notícia: eles tiveram que sair de lá. As terras onde moravam na Chapada foram vendidas. Ela conta melhor nesse post. Mas as histórias ficam, a experiência e a inspiração também. O blog continua existindo e continua sendo lindo. E precisa ser mostrado ao mundo!


Links da Semana #11


Mais um "Links da Semana" no ar. Tenho esquecido de visitar o bloglovin todos os dias, ainda mais que estou ajudando a organizar um evento de Psicologia na faculdade e isso tem me consumido. Mas, enfim, aí vão alguns dos links interessantes que encontrei por aí essa semana. Espero que gostem!

  1. 3 ideias de faça você mesma para deixar sua casa mais bonita, no Morando Sozinha
  2. Os mágicos festivais de lanternas da Tailândia, no Hypeness
  3. 4 filmes e 4 diferentes gêneros: um só público, no Quase de Manhã
  4. Arte com bastidores_love, no Não Me Mande Flores
  5. Como fazer um bolo arco-íris, no Colorida Vida
  6. Revistas de edição gratuita #3, no Aproveitar a Vida Já
  7. 14 sinais que você nasceu para viajar, no Sem Clichê
  8. Como fazer um calendário de Post-its, no Depois dos Quinze
  9. Blog da semana: Liraby

E aí, o que acharam? Já tinham visto algum? Beijos!